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terça-feira, 10 de maio de 2016

Para sempre: A MÃE DO DUARTE! O "04-04-2016"
























Existes nos meus sonhos...
Existes nos meus dias...
Existes em mim, a todo o momento...


Dia 4 de Abril de 2016


O teu corpo ficou na terra e a tua alma subiu ao céu..
Um dia "normal", estávamos nos cuidados intensivos pediátricos do Hospital Santa Maria desde Sábado.
Algumas dificuldades em respirar, mas tudo controlado á partida...
O dia foi passando e nós fomos percebendo...
Era aquele o dia que tanto temíamos, senti que não te iria ver mais aqui na terra... e pedi aos céus que não te mantivessem aqui na terra por egoísmo meu, por apego. 
Se fosse aquela a hora, que fosses em paz, sem sofrimento. Não merecias isso. 

Chamei as pessoas mais importantes para nós e na tua vida, não pensei sequer, não foi difícil "escolhê-las" depois daqueles 6 meses a aprender todos os dias... Foi inato em mim, e rápido também... Senti que estávamos todos preparados, e que toda a nossa família padece de um amor incrível que nem a "partida" mata.
A dor da partida era enorme...
As lágrimas caíam, e a dor na alma não ficava em lado nenhum, andava comigo.. A garganta estava seca, e tinha um nó...
Na cabeça anda tudo, e não andava nada...
Mas no coração estava a certeza da frase que partilhei convosco á tempos... "quero salvar o meu filho, ou da doença ou do sofrimento".

No meio de toda a dor que sentia em mim... olhava para ele, falava com ele, e sentia que não era ele, o bebé feliz, cheio de vida, forte...

Deixei de perguntar quais as soluções, tinha chegado a hora, eu tinha que ouvir a verdade, pensei.

Com as lágrimas a escorrer e com o queixo a tremer horrores peguei na mão do ser incrível que acompanhava o Duarte naquele dia, aquela médica, aquele ANJO:

"Dra ele vai partir não vai?"
Olhou para mim, com amor, muito amor mesmo:
"Muito provavelmente mãe"
Chorei, chorei... chorei...
Olhei-a nos olhos, com tanto amor, com tanta admiração, e pedi:
"Pfv como se fosse um dos seus... Ajude-o para que não sofra, e para que este momento seja digno para ele."
Sorriu carinhosamente, e acenou que sim.
Ajudei-o a nascer, fiz tanta força, tive tanta força...
Ajudei-o a partir, estive ao lado dele, fiz tudo para que tivesse uma partida tão digna quanto foi o seu nascimento e a sua vida. No fundo não fiz força, mas ele deu-me força muita força...
Não havia naquele momento epidural para a minha alma de mãe, morfina para a dor das saudades que já existiam em mim.
20:15h
O coraçãozinho dele parou, respirou a ultima vez.
"Vai em paz meu anjo, ajuda a mamã. Amo-te, amo-te, amo-te. Obrigada por tudo meu querido"
A alma dele partiu em paz.

Fica uma saudade enorme, mas a certeza que tenho um filho ANJO, que tenho uma companhia constante e eterna... e que nunca mais nesta vida eu estarei sozinha.

Não tenho palavras para descrever aquela equipa da UCIPed Santa Maria...
O respeito, a dignidade, o carinho, o acompanhamento.
São seres muito iluminados.
Obrigada por tudo!!

Sobre o IPO um dia eu escrevo.

Construi uma família.
Somos muito abençoados por termos conhecido pessoas tão especiais.
Um obrigado especial por aquele sábado a enf. Anabela, foi um anjo.

Na vida aprendemos a amar...

Na partida, percebemos o AMOR na sua verdadeira e pura essência...
Esse não morre!!!

OBRIGADA FAMÍLIA PELO NOSSO AMOR, E UNIÃO!

OBRIGADA FILHO,
OBRIGADA LUZ DA MINHA VIDA!

Para sempre,
A Mãe do Duarte

  

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ele não é a Leucemia!





Tenho que admitir: Estou cansada de aqui estar, não é fácil não termos a nossa privacidade, e a nossa "casa" se resumir a um quarto de hospital por tempo indeterminado... 
Coisas que não dava valor agora dou: Jantar em casa, por exemplo.
Os dias são longos e as noites trazem escuridão, trazem medos, mas trazem muita introspecção também. 
Isto á uns meses era tão longínquo para mim, nunca pensamos conhecer tão de perto a pediatria do IPO, pelo menos neste contexto. 

A doença dos nossos filhos é sem dúvida o maior desafio que a vida nos pode dar, destrói qualquer estabilidade. Mas ao mesmo tempo estes momentos difíceis na nossa vida confrontam—nos com a dura realidade que é perceber que aqueles que julgavamos que iram estar sempre ao nosso lado na verdade não estão, ou porque dá trabalho, ou porque é chato, ou tão somente porque "não são capazes de vir aqui". 
E se eu não fosse capaz de vir aqui?
 A mim ainda mais confusão me deveria fazer, ora, metade das crianças que aqui estão em estados mais, ou menos críticos, não importa, têm o mesmo que o meu filho, ou parecido. 
Como seria se eu não fosse capaz?!
Felizmente sou, sempre fui e sempre serei....Capaz!! 
Capaz de dar ao meu filho a dignidade que ele merece, e estar com ele onde ele estiver;
Capaz de estar ao lado dele no IPO, com a mesma dignidade e amor que o levarei ao ZOO.
Capaz de olhar para ele, e vê—lo a ele, não importa onde está, é ele. 
Mãe é mãe, e eu sou mãe, sou a mãe do Duarte, e não vos faça confusão pfv, ele estar aqui ou em casa, ele ter cabelo ou estar careca.
Ele é o Duarte. 
E tenho a certeza que ele é muito feliz, e tem muito amor á sua volta.
Ele não é a Leucemia e os seus efeitos chatos, ele não é mais um menino internado no IPO, ele é o Duarte, e cada um merece individualmente o nosso amor e dignidade.

E quem o ama e o honra, terá para sempre o meu amor.

Com amor,
A MÃE DO DUARTE 



Sorrir na dor





















Em todos os sorrisos é o teu que mais amo...
Em todos os sorrisos do mundo o teu é o que mais me contagia...
Em todos os sorrisos do mundo, é o teu que eu quero ver para SEMPRE.
Ele aquece-me a alma, e faz-me borboletas na barriga de felicidade.
Ser mãe é mesmo incrível.
Partilho convosco que desta vez o meu coração está cada vez mais apertadinho, o medo, aquele de que vos falei no outro dia, esse não me larga.
Mas sabem que mais?! Deixei—o andar em mim, aceitei—o como se algo normal se tratasse.
Qual é a mãe que não o tem? 
Sinto o mundo á volta cada vez mais fútil, e eu, estou cada vez mais focada em mim, e no meu filho.
Sabem o que tenho pensado imensas vezes? 
"Andava eu na minha vida, achando que tinha problemas." 
Aqui é um dia de cada vez, e hoje, D4 (quarto dia desta quimioterapia), agradeço a Deus o meu filho, a benção de o ter agora comigo.
Ele é sem dúvida o meu maior orgulho.
Agradeço o meu marido o papi João: Ele tem sido cada vez mais o meu melhor amigo e companheiro, nesta nossa caminhada.
Agradeço a  minha família linda: 
Que na dor, tem a capacidade de sorrir. 

Com amor, 
A MÃE DO DUARTE

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Medo




















Sinto medo a todas as horas...
Sinto medo a cada sorriso, a cada miminho, sinto medo a cada birra...
Sinto medo deste medo...
Sei que é normal, sou humana...
Tenho medo que este medo me derrote e me faça perder a força...
Tenho medo tão somente de sentir medo...
Sei o que dizem que sou, sei até que na verdade eu sou mais do que medo, sei que na verdade eu sou capaz de proteger o meu filho até que a minha própria vida me permita.
Então porque não sou capaz de lhe tirar o sofrimento? Queria ser, queria que fosse meu...
A minha dor não é o medo, porque o medo não dói, a minha dor não é física mais valia que o fosse, a minha dor não se vê porque ela chora escondida, ela aninhou—se a mim e não quis ir embora... É a dor da impotência, a dor da alma. Ela vive comigo assim como o medo, mas acho que é normal... Acho que qualquer mãe a tem...
Elas são grandes mas não são maiores do que a minha vontade de ver o meu filho crescer, não vão ser nunca maiores do que a força de uma leoa, nem maiores que uma tal fé, que é a minha.
Que seria de mim sem ela?
No fundo o que estaria eu a fazer se não fosse essa esperança lá longe?

Eu sei que ela está longe, mas quando chegar esse dia, eu e ele vamos saber que não foi nada fácil mas que conseguimos.

E sempre á volta daquilo que nos move, o nosso amor, esse não há medo, nem doença capaz de destruir.

Com amor,
A MÃE DO DUARTE

domingo, 31 de janeiro de 2016

Impotência

Noutra hora eu falarei, agora não.

Agora preciso de falar comigo, responder às minhas questões se é que elas têm resposta.
Falemos de impotência, sentimento de incapacidade, o que lhe queiram chamar. Esse sim dói e mói.

Sonhamos a vida toda com o quadro perfeito, aquele em que aparece o papá apaixonado pela mamã com um ou mais bebés, tudo tão perfeito.
Eu sempre sonhei com o quadro perfeito, a nossa casa, o nosso emprego estável, e claro o nosso bebé saudável.

Quando brincava com os meus "bebés" em criança, alimentava—os, dava—lhes banho, fazia—lhes ohoh, imaginava o marido a chegar a casa, enfim, tudo aquilo que a minha mente criativa me permitia imaginar.

Mas no meio de todas essas brincadeiras não me recordo de levar o meu nenuco á quimioterapia, não me lembro de ele estar doente e de eu ter que ter força para encarar tudo. O que é certo é que nenhuma mulher é formatada para lidar com uma situação de impotência perante um filho. E a grande verdade é que não há ninguém que tenha uma resposta ou medicamento para isso..

Vem do coração, e ele dói.

Choramos com as dores deles... choramos com a alma... Choramos com a pior dor de todas as dores, a impotência perante o nosso nenuco.
Jamais conseguiremos ter sempre uma postura positiva e alegre, mas podemos ser honestos e admitir que esta dor, dói.

Que hoje não estamos tão bem.
Que por vezes nos sentimos também cansadas, somos humanas.
À uns anos atrás li uma frase que até hoje está constantemente na minha cabeça: "Nada é eterno, nem mesmo os nossos problemas"
Eu creio que depois disto terei o meu "quadro perfeito", os papás apaixonados com o bebé saudável e o resto nós conquistamos aos poucos como sempre fizemos.
Creio também que esse quadro será mais forte e unido, mais consciente, com uma forte capacidade de resiliência e compaixão.
Não seremos nunca mais os mesmos, porque ninguém o é...
Mas certamente seremos muito melhores.

Um abraço directamente do isolamento,
A MÃE DO DUARTE

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Aceitação




















Talvez ainda não tenha aceite que isto nos aconteceu, tenho em mim todas as perguntas do mundo e provavelmente todas as perguntas que todos os pais nesta situação têm. 

Tenho em mim todas as perguntas do mundo, mas que mais me assombra é o medo permanente de perder o meu filho. 
O que faz uma mãe sem o seu rebento?
Não é esta a lei da vida, ele sim, um dia vai-me ver partir, eu não! Eu não estou preparada. 

Não há outra forma de encarar a realidade se não "de frente" para ela.

Aceitar que é esta a nossa realidade, fazer tudo que está ao nosso alcance para melhorar a nossa vida e a do Du, somos muito atentos e cuidadosos talvez por medo, não sei. 
O medo anda em mim todos os dias, a todas as horas. Mas acredito também todos os dias que dias melhores viram, e que depois deste processo, seremos sem duvida pessoas melhores. 

Vamos então sorrir e aceitar, encarar cada dia com o que ele tem para nos dar, e todos os dias o D nos dá essa vontade de sorrir. 
Conhecemos agora pessoas fantásticas, e uma realidade completamente diferente daquela que conhecíamos.

Fico surpreendida ao observar as mães destroçadas, assustadas, mas com uma força inabalável, sempre a sorrir por aqueles corredores que tanto fazemos durante os nossos internamentos. 
É incrível a força que as pessoas ganham nestes momentos de provação.
Em mim tenho todos os medos do mundo...
Em mim tenho todas as perguntas do mundo...
Mas em mim tenho também um amor incondicional que me move.
Também choro, também sou fraca, mas sou humana e nunca ninguém me ensinou a ser diferente, chorar faz parte.. E sorrir não é crime mesmo quando temos um filho doente... Acredito que a alegria, as brincadeiras, a boa disposição tem um grande papel neste processo.

Por isso por mais que estejamos desfeitos por dentro tentaremos sempre manter a boa disposição que sempre nos descreveu. 

Com amor,
Mãe do Duarte